Equilíbrio Emocional

Perdão: Esquecer - Afastar da memória, recusar-se a repisar - Parte 3

08:17


Esquecer significa afastar da lembrança, recusar-se a repisar um assunto – em outras palavras, deixar de lado, soltar, especialmente da memória. Esquecer não quer dizer entorpecer o cérebro. O esquecimento consciente consiste em deixar de lado o acontecimento, não insistir para que ele permaneça no primeiro plano, mas permitir que ele seja relegado ao plano de fundo ou mesmo que saia do palco.

Praticamos o esquecimento consciente quando nos recusamos a invocar o material inflamável, quando nos recusamos a mergulhar em recordações. Esquecer é uma atividade, não uma atitude passiva. Significa não trazer certos materiais até a superfície, nem revirá-los constantemente, nem se irritar com pensamentos, imagens ou emoções repetitivas. O esquecimento consciente significa a determinação de abandonar a prática obsessiva, de ultrapassar a situação e perdê-la de vista, sem olhar para trás, vivendo, portanto, numa nova paisagem, criando vidas e experiências novas em que pensar, no lugar das antigas. Este tipo de esquecimento não apaga a memória; ele simplesmente enterra as emoções que cercavam a memória.

Clarissa Éstes - Mulheres que correm com os lobos

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Equilíbrio Emocional

Perdão: Controlar-se - Renunciar a punição - Parte 2

07:30


A segunda fase é a do controle, especificamente no sentido de abster-se de punir: de não pensar no fato nem reagir a ele seja em termos grandes, seja em termos pequenos. É de extrema utilidade a prática desse tipo de refreamento, pois ele aglutina a questão num único ponto, em vez de permitir que ela se espalhe por toda a parte. Essa atitude concentra a atenção para a hora em que a pessoa se dirigir aos próximos passos. Ela não quer dizer que a pessoa deva ficar cega, entorpecida ou que perca sua vigilância protetora. Ela pretende conferir um prazo à situação para ver como isso ajuda.

Controlar-se significa ter paciência, resistir, canalizar a emoção. Esses são medicamentos poderosos. Faça tanto quanto puder. Esse é um regime de purificação. Você não precisa fazer tudo; você pode escolher um aspecto, como o da paciência, e praticá-la. Você pode abster-se de palavras, de resmungos punitivos, de agir de modo hostil, ressentido. Ao evitar punições desnecessárias, você estará reforçando a integridade da alma e da ação.

Controlar-se é praticar a generosidade, permitindo, assim, que a grande natureza compassiva participe de questões que anteriormente geravam emoções que iam desde a ínfima irritação até a fúria.

Clarissa Éstes - Mulheres que correm com os lobos

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Equilíbrio Emocional

Os quatro estágios do Perdão - Deixar passar - deixar a questão em paz - Parte 1

20:19


Para se começar a perdoar, é bom deixar passar algum tempo. Ou seja. É bom deixar de pensar provisoriamente na pessoa ou no acontecimento. Não se trata de deixar algo por fazer, mas assemelha-se a tirar umas férias do assunto. Isso ajuda a evitar que fiquemos exaustos, permite que nos fortaleçamos por outros meios, que tenhamos outras alegrias na vida.

Este estágio é um bom treino para o abandono definitivo que mais adiante advirá do perdão. Deixe a situação, a recordação, o assunto, tantas vezes quantas for necessário. A ideia não é a de fechar os olhos, mas a de adquirir agilidade e força para se desligar da questão. Deixar passar envolve voltar a tecer, a escrever, ir até o mar, aprender e amar algo que fortaleça e deixar que o tema saia do primeiro plano por um tempo. Isso é bom e é medicinal. As questões de danos passados irão atormentar muito menos se garantirmos que trataremos da ferida com bálsamos medicinais agora e que mais tarde tratará do assunto de quem provocou tal ferida.

Clarissa Éstes - Mulheres que correm com os Lobos

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Autodesenvolvimento

Não estás deprimido, estás distraído, estás desocupado

19:26


Não concordo em número, gênero e grau com as colocações, mas que há verdade profunda em algumas citações, não há dúvida. Por isso trouxe esse texto de Fecundo Cabral. 
Luciana


Em tenra idade seu pai deixou a casa abandonando a mãe com três filhos, que emigraram para Tierra del Fuego no sul da Argentina. Cabral teve uma infância dura e desprotegida, tornando-se um marginal, a ponto de ser internado em um reformatório. Em pouco tempo conseguiu escapar e, segundo conta, encontrou Deus nas palavras de Simeão, um velho vagabundo.

Em 1970, ele gravou "No Soy De Aquí, Ni Soy De Allá" e seu nome fica conhecido em todo o mundo, gravando em nove idiomas e com cantores da estatura de Julio Iglesias, Pedro Vargas e Neil Diamond, entre outros

No entanto, um dos seus escritos me chama mais a atenção, onde ele fala da depressão. Reproduzo a seguir na esperança e desejo que de que sirva de reflexão a tantos quantos necessitem.


Não estás deprimido, estás distraído

Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.

Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver.

Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.


Não estás deprimido, estás distraído

Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.

Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração. Não existe a morte, apenas a mudança.

E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.

Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural. Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor. Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição. Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos. Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velásquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas). Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.


Não estás deprimido, estás desocupado

Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez. Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.

Dá sem medida, e receberás sem medida.

Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor.

E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas. O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso. Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.

Autodesenvolvimento

Vida após o Parto

19:02


Autor desconhecido

No ventre de uma mulher grávida dois gêmeos dialogam:

- Você acredita em vida após o parto?

- Claro! Há de haver algo após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Bobagem, não há vida após o nascimento. Afinal como seria essa vida?

- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a nossa boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Além disso, andar não faz sentido pois o cordão umbilical é muito curto.

- Sinto que há algo mais. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

- Mamãe? Você acredita em mamãe? Se ela existe, onde ela está?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela não existiríamos.

- Eu não acredito! Nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que ela não existe.

- Bem, mas ás vezes quando estamos em silêncio, posso ouvi-la cantando, ou senti-la afagando nosso mundo. Eu penso que após o parto, a vida real nos espera; e, no momento, estamos nos preparando para ela.

Equilíbrio Emocional

Depressão Sazonal

10:30


A depressão sazonal se caracteriza pela falta de vontade de fazer as coisas e a opção por permanecer na escuridão. Conheça mais sobre essa doença e saiba qual o tratamento mais adequado para ela.

A depressão pode acontecer devido a algum trauma ou simplesmente pela continuidade de eventos tristes na vida de alguém. Por isso, além do stress, a depressão tem sido considerada a doença do novo século.

A depressão é um dos problemas que mais acomete as pessoas na atualidade. Com tantos problemas no dia a dia, ou por fortes decepções, muitas pessoas acabam entrando nesse mundo, alguns inclusive sem volta. Mas nem sempre a depressão é aquela que vem e fica, também existe a depressão sazonal, aquela que surge em um determinado período da vida.

A depressão sazonal é um tipo de doença que muitas pessoas apresentam em um grau maior ou menor, isso irá variar em cada indivíduo. Algumas pessoas apresentam mudanças, mas nada que as faça procurar um profissional de saúde, já outras sentem essas mudanças bem intensamente, fazendo com que elas busquem ajuda profissional.

É possível identificar a doença por alguns sintomas, embora seja um pouco difícil, em vista de que os sintomas são comuns, necessitando de um diagnóstico diferencial. Por essa razão, muitas pessoas acham que estão normais, mas na verdade estão com depressão sazonal, e não conseguem diferenciar os sintomas de situações habituais.

Saiba aqui como diferenciar a depressão sazonal da depressão comum, quais os sinais e sintomas e como é realizado o tratamento.


Sintomas da Depressão Sazonal

Dentre todos os sintomas apresentados pela pessoa com depressão sazonal, alguns são mais típicos, outros nem tanto. Confira abaixo os sintomas mais comuns:

• Dormir por mais horas por dia, principalmente no inverno, e mesmo dormindo mais, ainda sente dificuldade de acordar pela manhã e acordam cansadas.

• Aumento significativa do apetite, vontade maior de comer carboidratos, como chocolates e “besteiras”.

• Dificuldade de concentração e problemas na execução de tarefas rotineiras, cansaço, isolamento social e diminuição do apetite sexual.

• Mudanças repentinas no humor, como irritabilidade, apatia, baixa autoestima e sensação de depressão

• Para as mulheres, há uma piora na tensão pré-menstrual


Causas e Tratamento da Depressão Sazonal

Dentre as possíveis causas já citadas em estudos sobre a depressão sazonal, algumas estão ligadas aos seguintes fatores:

• Aumento da melatonina, que é um hormônio que regula o sono, produzido no escuro.

• Diminuição da Serotonina, atingindo seu pico quando a pessoa se expõe à luz.

Por isso, a depressão sazonal é muito conhecida como depressão de inverno, pois as pessoas passam a preferir ambientes escuros e fechados.

Assim como a depressão comum, o tratamento da depressão sazonal pode ser medicamentoso, e haver a necessidade de uma psicoterapia, mas muitas pessoas sentem a melhora com o uso da Fototerapia, dispensando até as doses de antidepressivos que são administrados. É um tratamento feito onde a pessoa não precisa olhar diretamente para a luz, mas precisa ficar com os olhos abertos, de modo que a luz ilumine os olhos por mais ou menos 30 minutos. É um tratamento feito na parte da manhã, para que seja mais eficaz. Com esse tratamento de Fototerapia, mais de 80% das pessoas com depressão sazonal sentem a melhora significativa dos sintomas.

O inverno está chegando. Vamos nos prevenir. O mesmo sol que em excesso pode nos causar doenças, em equilíbrio pode nos curar, ou mesmo nos proteger.

Luciana Sereniski
CRP 12/06912

Autodesenvolvimento

O Peso que a Gente leva

09:44

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Um texto belo, para variar, do Padre Fábio de Melo. 

Há coisas que quero levar, mas não podem ser levadas

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado? 

As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez? 

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu para nada. 

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence. 

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É consequência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou. 

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro. 

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos... 

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar. 

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.