Autodesenvolvimento

Autoestima- Quarto Pilar - A autoafirmação

09:30


Certa vez eu anunciei uma vaga de emprego. Dezenas de currículos chegaram ao meu e-mail, inclusive o da esposa de um amigo que eu não poderia (não poderia?) deixar de fora do processo seletivo. Escolhi alguns com o perfil profissional mais alinhado à proposta de trabalho para o cargo anunciado e, então, agendei algumas entrevistas, pois precisava identificar nos candidatos algo que os currículos não mostram.

No dia da entrevista a esposa de meu amigo compareceu entre algumas candidatas que chegavam vestidas como se fossem para uma festa; outras tão formal como se fossem trabalhar no Fórum; e outras ainda tão desleixadas que pareciam não ter espelho em casa. Além disto, reparei que o discurso era artificial, parecendo que decoraram dicas de algum livro do tipo “Como passar em entrevistas de emprego”, um desastre!

A esposa do meu amigo estava tão confiante em relação a vaga, que estava nítida a expressão de desprezo ao olhar as concorrentes. Foi uma das primeiras a ser dispensada.

O ponto comum entre as candidatas era que cada uma tentava atender ou contestar expectativa que mal sabiam qual seria, pois não perguntaram antes qual o traje para a entrevista ou quais os detalhes do trabalho, ou seja, tentaram atender uma eventual exigência com base apenas em suas ocultas suposições, sem levar em consideração se aquela exigência era real ou não e, sendo real, como seria exatamente para que pudessem decidir atender ou não. Não fizeram isto, pois não acreditavam que tinham este direito e dever para consigo mesmas: A atitude da autoafirmação!

Enfim, as pessoas tentam (como eu tentei durante muitos anos) a todo momento atender ou confrontar expectativas alheias sem saber se tais expectativas existem e em que forma ou condições elas existem, pensando que desta forma estão se afirmando perante o outro. Assim, retiram de si a oportunidade da escolha e se obrigam a parecer com quem não são, forjam máscaras pelo simples fato de querer incondicionalmente agradar ou desagradar propositadamente o outro em função de sua cegueira histérica, sujeitando-se a roupas, situações e posicionamentos que intimamente não gostam ou não concordam, traindo a si mesmas.

Não me refiro aos diferentes papeis que exercemos como filhos, pais, professores etc. Em cada papel um comportamento e uma atitude determinada e isto é completamente aceitável e pertinente. Também não me refiro a cumprir regras que anteriormente tenha aceitado cumprir de comum acordo. Refiro-me à sujeitar-se incondicionalmente às convicções alheias para ser aceito ou não ser rejeitado pelo outro.

Contrariar a si para agradar ao outro é uma das piores formas de traição e, geralmente, depois de um tempo a pessoa desenvolve desde vergonha até raiva de si mesma pela auto traição, afetando consideravelmente sua autoestima, que é a qualidade de amor e consideração que mantém por si mesma. Como gostar de si mesma quando se trai?

No caso da rebeldia, quando se faz algo que agride o outro é igualmente prejudicial à autoestima. Conheço pessoas que sustentam remorso por ter se exaltado e agido de forma bruta, magoando pessoas quando na verdade não são adeptas a este tipo de comportamento. Geralmente se consideram calmas, controladas e educadas, mas para supostamente afirmar-se perante o outro, desnecessariamente deixam de lado a urbanidade e partem para a grosseria como única maneira de defender uma idéia ou convicção própria, decepcionando a si mesma.

Ser “curto e grosso” não é sinônimo de sinceridade e autenticidade, muito menos de autoafirmação, é sinal de autoestima fragilizada, ou no mínimo, falta de educação mesmo. Não é comum à pessoa com autoestima saudável agir com agressividade quando a situação não justifica tal apelo.

A agressividade é admitida nos seres humanos em caso de eminente risco pessoal e em legítima defesa. Se alguém usa de agressividade para defender uma idéia própria é porque inconscientemente considera em situação de risco pessoal, o que seria totalmente incoerente no ponto de vista lógico.

Embora minha, é apenas uma idéia cuja aceitação ou rejeição pelo outro, de forma alguma, pode colocar em risco a minha existência. Neste sentido, o Dr. Nathaniel Branden defende que o princípio da autoafirmação é a disposição que a pessoa tem para tratar a si própria com respeito em todos os seus contatos diários e relacionamentos. Não se vê necessidade o uso e aplicação indiscriminada de comportamento agressivo para defender as próprias convicções.

Não se trata apenas de uma possibilidade, mas de um direito universal que deve ser reconhecido pela própria pessoa. É preciso acreditar que se tem o direito de ser quem se é, conscientemente. Autoafirmação sem consciência é pura estupidez, como o caso das candidatas que chegavam mal arrumadas e diziam que as pessoas tinham de aceitá-las como elas são, afirmando: “Se gostar bem, senão gostar amém!”. Elas tinham razão até certo ponto, mas faltou-lhes consciência, pois o simples fato de direito em ser quem é, tornam desnecessários o comportamento e discurso ofensivos.

Para empreender atitude de autoafirmação não é necessário ser arrogante, estúpido ou imperativo. Basta dizer natural e educadamente que gosta ou não gosta de certas coisas; ou que prefere determinada linha de pensamento do que outra. Que gostaria ou não realizar determinadas tarefas de trabalho.

Em outro extremo a ausência da autoafirmação gera timidez, medo de falar e se apresentar em público; a pessoa receia expressar suas idéias e, com aquele sorriso sem graça, acaba por fingir concordar com as idéias dos outros, entrando em contradição sistematicamente. Quanto mal à autoestima faz a falta de posicionamento, de autoafirmação.

Não são poucos os profissionais que sofrem a síndrome de burnout, entre outras inúmeras doenças laborais. Uma parte, acredito, porque além de todos os percalços naturais da profissão, tais profissionais também não se respeitam e realizam tarefas ou assumem funções que contrariam suas crenças, valores e vocações em função do salário apenas. Esta é uma forma prática de vender um pedaço da autoestima, tornando-se morno e indiferente com o trabalho e as coisas do trabalho. Neste caso é hora de procurar o trabalho certo para fazer já que não consegue fazer bem feito o trabalho que se concordou fazer até então.

Toda passividade é, de alguma forma, uma atitude sabotadora, ou de si, ou do outro, ou da instituição. Para Branden, “certas pessoas param e se movimentam como se não tivessem direito nenhum ao espaço que ocupam”. Quando você ver ou ouvir alguém fazendo ou falando algo que você repudia, conteste educadamente, ao invés de temer ser rejeitado(a) ou desagradável. A autoestima não perdoa passividade.

Por outro lado, quando um profissional tem atitude da autoafirmação este coopera com boas ideias, se empenha em desenvolvê-las, “briga” por elas, buscando apoio e superando dificuldades com determinação e persistência, sempre de uma forma prazerosa e produtiva porque está certo e consciente daquilo que acredita e tem esperança realizar, sem precisar destruir o outro.

Quantas vezes traí a mim mesmo tentando me adaptar a pessoas e circunstâncias das quais eu não concordava, trabalhando em empregos medíocres e insignificantes para mim. Pensava que aquelas pessoas e oportunidades seriam únicas e eu não poderia perdê-las. Era puro autoengano. Depois de um tempo de sofrimento e muita depredação de minha autoestima acabava por me afastar daquelas pessoas e trabalho. Deveria ter tomado uma atitude de autoafirmação desde o início, durante a entrevista teria sido o ideal, ficando do meu próprio lado e poupado a mim mesmo de tanta angústia. É preciso “cortar os fios” antes que a bomba exploda, ou melhor, antes de implodir o quarto pilar da autoestima.

Algumas daquelas candidatas que mencionei no início do texto se chatearam comigo por eu não tê-las contratado, inclusive a esposa de meu amigo. Porém, disse a cada uma o que eu pensava sobre o perfil delas em relação à vaga, sempre de uma forma gentil e procurando ser construtivo em minha devolutiva, pois não me agradaria deixá-las pior do que quando chegaram. Sempre acreditei estar fazendo um favor a elas mesmas, pois não consegui perceber atitude de autoafirmação e empregá-las somente em função de suas necessidades pessoais ou de uma amizade.  Seria grave irresponsabilidade de minha parte. Certamente eu teria causado prejuízos à autoestima delas e principalmente a empresa e equipe de trabalho. Em um lampejo de consciência, acabei por fazer um favor a todos, inclusive a mim mesmo quando decidi experimentar a atitude da autoafirmação.

Por mais que algumas pessoas possam ser importantes, nada justifica a negação ou supressão de nossas próprias opiniões. Ser auto-afirmativo é estar do próprio lado e respeitar as próprias opiniões sem, contudo tomar atitudes estúpidas em relação à opinião das demais pessoas. Neste aspecto, a atitude de autoafirmação exige equilíbrio entre coragem e sabedoria! 

Prof. Chafic Jbeile

Autodesenvolvimento

Autoestima - Quinto Pilar – A Intencionalidade

09:00


Participava da cerimônia de formatura de um grande amigo. Ao parabenizá-lo pela vitória da etapa acadêmica vencida ele me disse: 

- “Vamos ver o que vai ser agora!”.

Não podia perdoá-lo pela insinuante e inconsciente acomodação desvelada em suas palavras; muito menos perderia a chance de coibir uma ação íntima de aquietamento e respondi instantaneamente: 

-“Que história é esta? Vai passar a bola para o acaso? Nada disto! Pode começar a planejar a sua carreira e determinar o que vai ser ao invés de soltar os remos”.

O amigo respondeu: 

-“Será que não pode deixar de ser psicanalista pelo menos na minha formatura?” 

E eu disse: 

-“Nunca quando alguém de minha estima representa um perigo para si mesmo”. 

A conversa cessou por ali, mas minha preocupação continuava. O fato é que assim como meu amigo, eu também já perdi muito tempo de minha vida deixando a vida me levar. Soltar os remos e ver para onde a maré leva o barco é algo muito estúpido e bastante arriscado. É preciso ter a intenção de fazer e realizar o que se pretende, ao invés de transferir para o acaso a sua própria sorte. 

Afirmações do tipo: “Vamos ver o que vai dar”; “Deixa a vida me levar”; “Quem sabe um dia...”; “Eu gostaria fazer isso”; “Quem me dera eu pudesse”; “Se eu isso...”; “Se eu aquilo...” são afirmações isentas de intencionalidade. Elas denotam que a pessoa está entregue e dependente de forças aleatórias e causais para que algo se concretize. 

Até o famoso “Se Deus quiser...” não pode ser isolado e aleatório, como se alguém estivesse a transferir para Deus, única e exclusiva responsabilidade sobre as coisas que a pessoa deseja realizar ou conquistar para si. O Homem faz planos e a resposta vem de Deus, mas se o homem não faz planos, dificilmente uma resposta virá. A falta de planos é a falta de fé, e a falta de fé é a drástica isenção da intencionalidade. 

Viver de propósito e com propósito é a argamassa do quinto pilar da autoestima. É preciso que cada pessoa estabeleça metas (curto prazo) e objetivos (médio e longo prazos) para qualquer coisa que pretenda realizar/conquistar na vida, seja lá em que área for. 

Não são poucas as pessoas que vivem sem a importante atitude da intencionalidade. Geralmente são aquelas pessoas que respondem a um convite com o seguinte chavão: “Eu não tenho tempo!” Ou estão entregues ao acaso e por isto não têm disciplina sobre o próprio tempo ou estão mentindo quando na verdade poderiam simplesmente dizer “obrigado pelo convite, mas não quero ir” ou “Tenho outro compromisso nesta data” ou coisas assim. 

Quem afirma não ter tempo é porque não tem disciplina sobre os próprios eventos de sua vida diária. Não se organiza e vive em função das coisas urgentes ou emergenciais. Por isto se descontrola e se angustia. Muitas vezes gasta mais do que pode; fala mais do que deve e age por impulso e está sempre dizendo algo do tipo “deixa como está para ver como é que fica”. Para o Dr. Nathaniel Branden, viver intencionalmente envolve as seguintes questões:

a) Assumir a responsabilidade de formular conscientemente seus próprios objetivos e propósitos;

b) Preocupar-se em identificar os atos necessários para alcançar os objetivos estabelecidos;

c) Monitorar o comportamento para que ele esteja em sintonia com os objetivos estabelecidos;

d) Prestar atenção aos próprios atos para certificar-se que eles levarão você ao ponto aonde quer chegar. 

Em outras palavras leitor(a), viver intencionalmente é determinar o tipo de comportamento que quer ter para com as diferentes pessoas, em diversas ocasiões e ambientes. Você pode ser grosseiro(a) ou gentil por impulso ou de propósito. Você pode ser o que você quiser ser. 

Viver intencionalmente é determinar o que se deseja alcançar na vida e traçar um plano. Em seguida, estabelecer objetivos e metas para se chegar à realização desejada, tendo sabedoria para ajustar os planos e as atitudes enquanto caminha rumo a seus propósitos. 

Preste atenção nestas frases antigas, de autorias diversas: 

Quem não sabe para onde quer ir, qualquer lugar serve. 

Se você não fizer alguma coisa, nada vai mudar. 

Se você continua fazendo as mesmas coisas, continuará tendo os mesmos resultados. 

Sua vida muda quando você muda! 

A bússola aponta o Norte, mas você precisa fazer algo para chegar lá. 

E se você é religioso(a) saiba que Deus não move um dedo naquilo que você pode fazer. Deus só age quando as coisas estão verdadeiramente fora de seu alcance e controle.

Portanto, não se preocupe com as coisas que você não pode fazer nada, mas tome uma atitude positiva em relação às coisas que você tem algum controle e pode fazer algo, ao invés de apenas soltar os remos e dizer “vamos ver o que vai dar...”. 

Decida intimamente, realize suas coisas com a intenção de realizá-las do fundo de seu coração, pois viver, trabalhar, estudar, namorar, escrever, falar e muitas coisas mais que fazemos no dia a dia só terá graça e plenitude quando temos a intenção de fazê-las e isto é viver com a atitude da intencionalidade: O quinto pilar da autoestima! 

Encerro este texto com mais esta reflexão: "A raiz da nossa autoestima não são nossas realizações, mas as atitudes geradas interiormente que, entre outras coisas, nos possibilitam realizar algo" (Nathaniel Branden)

Prof. Chafic Jbeile

Autodesenvolvimento

Autoestima - Sexto Pilar - A Integridade Pessoal

08:30


Assisti recentemente, como faço há muitos anos, palestra sobre meio ambiente e educação ambiental. Achei fantástica a proposta didática na impecável apresentação dos slides; os conceitos são realmente fascinantes e os vídeos tão surpreendentes quanto comoventes. Fiquei encantado!

Acontece que meu encantamento foi amenizado pelo próprio palestrante quando ao final do evento o flagrei jogando o papel do chiclete no chão. Ao perceber que eu vi o que ele havia feito sorriu sem graça dizendo: “este papel é solúvel”. Percebi a falta de coerência entre discurso e prática. Imperdoável para aquela pessoa, naquele dia, naquele momento.

O jovem professor pediu desculpas, apanhou o pedacinho de papel amassado e o jogou no cesto de lixo. Mesmo assim, continuei a observá-lo discretamente enquanto desmontava seus equipamentos e senti que ele havia ficado envergonhado de si mesmo. Menos mal para o meio ambiente, porém extremamente doloroso para o moço!

Pude perceber que aquele palestrante autoconfiante e cheio de convicção durante a conferência perdera muito de seu brilho depois do efêmero e vergonhoso episódio. Já não olhava mais com tanta firmeza e confiança nos olhos das pessoas que iam cumprimentá-lo pela excelente exposição. Ele havia perdido sua força interior, pois sua autoestima acabara de receber um baque.

Ele perdera sua integridade pessoal naquele exato momento.

Um gigante sobre educação ambiental que havia respondido brilhantemente diversas perguntas polêmicas e difíceis sem se abalar, agora se encontrava derrubado por um simples pedacinho de papel.

Passou duas horas aproximadamente combatendo ferrenhamente o descuido com o lixo pessoal; encheu a tela com estatísticas estarrecedoras sobre o impacto ambiental causado pelo lixo que produzimos; não poupou críticas às pessoas mal educadas, às famílias que não fazem coleta seletiva de seu lixo, excomungou governantes e até ONGs.

Enfim, aquele jovem havia perdido momentaneamente e no sentido mais estrito da palavra, a sua integridade pessoal. Deixou de ser inteiro quando seu ato contradisse seu belo discurso, cujo teor expressava seus valores, princípios e ideais. O moço desmontou-se, perdeu espaço dentro de si e diminuiu de tamanho. Sua autoestima foi ferida, ficando comprometida no sexto pilar!

De acordo com o Dr. Nathaniel Branden: “[...] quando nos comportamos de forma conflitante com o que julgamos apropriado, perdemos o respeito por nós mesmos”.

Sabe-se que a falta de integridade é tão ou mais nociva do que qualquer censura ou rejeição externa, pois contamina intensamente o senso de self. Pode-se evitar uma pessoa que está sempre nos humilhando e ofendendo, mas dificilmente se pode evitar a si mesmo em veladas sessões de autocensura. Por isto acredito que o pior dos verdugos seja a própria consciência.

Nenhum ser humano tem poder maior de condenação do que a própria pessoa contra si mesma e a depressão é uma prova disto. Não é a toa que oro a Deus diariamente pedindo livramento dos inimigos, mas principalmente do rigor de meu superego.

Não obstante, os momentos que comparo meu discurso com meus atos são importantes incubadoras de culpa, pois desperta-se naquele exato momento da autocensura moral uma espécie de juiz corregedor a que Freud intitulou superego, cujo moto maior é o princípio do ideal, lugar do inconsciente onde estão armazenadas as nossas referências mais sublimes juntamente com as mais elevadas expectativas, depositadas em nós pela sociedade e por nossos entes queridos ao longo de nosso desenvolvimento.

O murundu de ideais perfeitos construídos desde a infância em nosso inconsciente afronta a todo instante nossos impulsos mais pueris, idílicos, exercendo pressão enlouquecedora, cujo ego precisa lançar mão dos mais eficazes mecanismos de defesa para aliviar desconfortante compressão: esta angústia do ego causada pelo ultraje de nosso próprio ego moral ou superego.

Um desses mecanismos de defesa do ego é a projeção, cuja dinâmica consiste em lançar no outro aquilo que condeno em mim. Portanto, quando reconheço que fiz o que condeno o outro fazer, percebo-me isento de integridade e o espírito desfalece instantaneamente.

Uma das características menos toleráveis nas pessoas de modo geral e em especial naquelas pessoas que sempre condenamos é a falsidade, a hipocrisia: palavra-chave de toda crítica aos dissimulados políticos. Quem já não repetiu a frase “fulano é mentiroso” ou ”deputado X é falso, enganador, um hipócrita!”. Parece que ao amaldiçoar o outro por sua falta de integridade, tenta-se expurgar de si mesmo esta tragédia interna que corrompe a alma e contamina o espírito.

Daí a repercussão avassaladora que tem a falta de integridade sobre a autoestima. Quem não tem pecado que atire a primeira pedra! Quem nunca foi hipócrita ou mentiroso?

A raiva e o ódio que estava em Caim ou em Hitler também podem estar em mim, assim como a generosidade de Abel e o amor de Cristo também podem estar em mim. Tenho em mim o que há de melhor e o que há de pior na espécie humana. Ao admitir isto me vejo com mais integridade, pois deixo de ser apenas quem eu gostaria de ser (a melhor parte) para admitir ser quem eu realmente sou (todas as partes).

Tirar uma doença do CID – Código Internacional de Doenças não a fará desaparecer, assim como refutar uma característica repudiante não a eximirá de existir em mim.

Reprimo e expurgo aquilo que julgo não prestar ou repudio em mim; mas afloro e evidencio o que mais me agrada. Contudo, não me deixo iludir haver pleno controle sobre estas forças interiores. Dado que as circunstâncias, as pessoas e o meu estado geral complementam tais forças de controle a cada instante que vivo. Em função do descontrole destas forças, posso perder ou recuperar minha integridade pessoal a todo instante.

Na experiência do Dr. Nathaniel Branden, ao aplicar dinâmica onde solicitava aos participantes que completasse a frase: “Eu seria mais íntegro se...” então algumas respostas surgiram, tais como: ...eu cumprisse minhas promessas; ...eu admitisse minhas falhas, erros ou inabilidades qualquer ao invés de mascará-las descaradamente.

Assim, ser íntegro é não rir de piadas das quais realmente não se acha graça nenhuma; é admitir as qualidades e virtudes de um concorrente; é dizer não quando se tem vontade; é não superfaturar o recibo do reembolso; é reconhecer a responsabilidade que tem sobre as pessoas; é não desviar objetos do escritório para uso particular.

Enfim, na opinião de cada participante ser íntegro é o mesmo que fazer a coisa certa, empreendendo congruência entre aquilo que se fala e aquilo que se faz, sabendo que as virtudes que a autoestima nos pede nem sempre são as mesmas que a vida nos exige.

Prof. Chafic Jbeile

Autodesenvolvimento

Autoestima - Sétimo Pilar – Final - O Amor

08:00


Talvez eu não seja a melhor pessoa para falar de amor. Este é um tema melhor abordado pelos poetas, pelos artistas, pelas mães, pelas mulheres de modo geral. Eles sim podem falar com mais propriedade e com maior eloquência do que eu. Mesmo assim, a despeito de minhas limitações, ousarei falar sobre o amor em função de sua implicação à estrutura da autoestima.

Há vários sentidos e aplicações para a palavra amor. Em todos os empregos e usos do termo o significado comum é o de querer bem e agir em favor de algo ou alguém. Tudo que se faz com plenitude de vontade e intensidade de alma, se diz que é feito com amor. Portanto, o mal feito é por si só isento de amor porque não é máximo, não é esforçado, não é bem quisto, antes é feito com má vontade, de qualquer jeito, obrigado e, por isto, livre do significante amor.

A referência filosófica do amor alude aos relatos de Platão quando compara este sentimento com a caça; como algo que se busca a todo esforço até que se obtenha aquilo que acredita não possuir. Daí chamar de amor platônico toda forma de amor que extrapola os limites do bom senso e aproxima-se do patológico.

Em Freud tem-se entendido o amor como a pulsão mais primária, o impulso de vida; também conhecido nos escritos psicanalíticos como Eros. Este alterna com Thanatos, o impulso de morte. Enquanto o primeiro constrói e edifica, o segundo destrói e corrompe. O pai da psicanálise sugeriu várias vezes e em todas as suas obras a força dessas pulsões sobre as atitudes conscientes e inconscientes de nosso viver.

Enfim, são muitas as referências sobre amor e não há espaço e tempo neste singelo texto para abordar todas elas. As que aqui se apresentam são suficientes para referenciar o que pretendo vincular com o tema proposto, ou seja, o sétimo pilar da autoestima.

Desta forma, tanto no âmbito religioso-espiritual, filosófico ou psicanalítico o emprego da palavra amor e suas variações semânticas sugerem tratar de uma força sem limites, intangível, venerável e poderosa ao ponto de fortalecer, revigorar e gerar vida. Em outras palavras, o amor é como as turbinas de um avião ou o motor de um carro. Sem eles nem um nem outro poderiam sair do estado estático.

É neste sentido que o amor se aplica a autoestima como sétimo pilar, pois sem esta força propulsora nada nem ninguém poderão mover-se e muito menos transformar-se. Nenhum dos outros seis pilares poderiam se efetivar sem o sétimo. Só o impulso de vida – amor – é que pode fazer uma pessoa mudar de idéia, se arrumar, tomar atitudes mais condizentes com o autorrespeito, a autoafirmação, a integridade pessoal, a prosperidade e a melhora pessoal em todos os sentidos aplicáveis.

Não se pode ver o amor, mas pode-se percebê-lo atuante quando as pessoas são compelidas a mudar e a fazer mudar qualquer coisa ou pessoa para um estado melhor, mais bem aprimorado.

Autoestima é a tradução literal do amor próprio. Cada qual tem sua autoestima na mesma proporção do amor que sente por si próprio. Assim fica fácil entender porque as pessoas se prejudicam e se matam entre si, pois cada qual ama o próximo como a si mesmo.

Aquilo que se faz ao outro é, em análise, aquilo que se deseja fazer a si mesmo, mas de uma forma velada. E o que se quer fazer veladamente a si mesmo é o límpido reflexo da consideração e amor que cada um nutre e mantém por si mesmo. Ninguém que desonra a si mesmo poderá ter o outro em honra.

Em outra perspectiva desta análise, pode-se entender as pessoas que nos agridem e nos machucam como praticantes de ação proporcional ao ódio e repúdio que elas sentem por elas mesmas. Só quem conhece e experimentou o amor pode amar. Aquele que não sabe e sequer provou desta força chamada amor, jamais poderá desejar ou fazer o bem a si mesmo, quem dirá ao próximo.

Viver sem se sentir amado é uma porta para a angústia e a depressão. Viver sem se sentir amado torna a vida muito mais dolorosa do que normalmente seria. Tudo fica mais difícil. Se relacionar fica mais difícil. Estudar, trabalhar, produzir fica quase impossível e então reina o impulso de morte, tornando as pessoas mais amargas, destrutivas, maldizentes e infelizes. O que esperar dessas pessoas? Não há perspectiva de vida, de sucesso ou mesmo de futuro quando a pessoa não se sente amada, querida, desejada. 

Portanto, não basta dizer a uma pessoa que a ama ou usar sua linguagem de amor para acreditar que o outro está sendo amado. É necessário que o outro se sinta amado para que possa experimentar esta força que transforma e revitaliza qualquer pessoa que é agraciado por ela.

Nada pode ser mais sublime e produtivo para uma pessoa do que sentir-se amada pelo pai, pela mãe, por Deus, por qualquer alguém que lhe importa ou pela sociedade de uma forma geral. Os piores delinquentes, capazes das piores ações destrutivas e práticas antissociais são pessoas incapazes de sentir e experimentar o amor.

Esta incapacidade pode ser congênita, relacionada à micro lesões cerebrais que impedem o processamento de tal sentimento ou mesmo pela experiência do abandono, do descaso e do desprezo elaborados de forma peculiar em suas mentes a partir das ações e palavras de seus entes mais próximos, a partir do nascimento até algum momento de sua vida em que ocorre um insight negativo e passa a crer na ideia de que não é amado o suficiente, antes se sente indesejado e rejeitado. Eis a semente do mal, da criminalidade. 

Ninguém rouba, mata ou destrói por amor, mas por ódio e revolta.

Como é poderosa quando dita com sinceridade a frase “eu te amo”. Experimente dizer mais vezes eu te amo com as pessoas que você quer bem, mas comece dizendo a si mesmo(a) toda vez que se olhar no espelho pela primeira vez no dia. Contudo, nunca repita mais do que três vezes ao dia para não estimular eventual narcisismo!

As ações sociais de contenção da delinquência e repressão ao crime não deveriam se restringir a medidas socioeducativas e penais com base no Código Civil e na Constituição Federal apenas. Nada que se faça com base exclusivamente nas Leis e nas regras sociais poderá transformar o ódio de alguém em amor. Por isto as cadeias estarão sempre lotadas e os índices de criminalidade continuarão aumentando dia após dia. Ninguém pode se sentir amado com a aplicação da Lei.

Também não é o caso de distribuir bíblias aleatoriamente. Pois, ainda que eu falasse as línguas dos anjos se não houver amor, nada adiantará. É preciso se sentir amado e experimentar este sentimento.

E se alguém não se sente amado e, portanto, não experimenta o amor como poderá ter bem consolidado o seu amor próprio? Assim, terá invariavelmente comprometido todos os sete pilares da autoestima.

Leitor(a), a melhor referência teórica de amor que eu conheço está no primeiro livro que o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios, registrado no Capítulo 13, versos 1 a 8 da Bíblia, como se segue:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha[...]”.

Prof.Chafic Jbeile

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O que Impede seu Sucesso Profissional

16:02

Quando tiver sucesso, todos vão olhar como se você estivesse num palco, completamente nu. Todos verão quem você é, porque o sucesso vai deixa-lo exposto. Se a pessoa não tem medo de se expor, na hora em que o sucesso chegar, ela vai se sentir perfeitamente à vontade. E se o sucesso vier e colocar você nessa posição, o que vai acontecer? É aí que começam as nossas resistências.

Vamos dizer que você estava num cargo que não representava nenhum tipo de ameaça, mas bastou receber uma promoção e virar o centro das atenções na empresa que esse cargo se tornou uma ameaça, já que você não é o tipo que tem muita segurança em si. Quando  você tem medo de alguma coisa as suas forças de defesa, as mesmas que agem para impedi-lo de se machucar, também seguram o seu sucesso. Elas atuam em função de conter o que o ameaça para protegê-lo. Na verdade é você mesmo quem segura o seu sucesso.

Se você está bem, sua carreira também vai bem, pois o bem e o mal estão em todo lugar,  somos nós que nos sintonizamos com eles. Mas é só algo começar a ficar ameaçador que suas defesas, inteligentemente, criam obstáculos ou aproveitam aqueles que estão à sua volta.

Veja esse exemplo: Ele é um ladrão. Sempre foi seu vizinho, morou anos lá e nunca roubou, mas naquele dia foi roubar logo o seu. É porque a sua energia usa o ladrão para roubar o seu carro, para segurá-lo, evitando assim que você possa ir para frente. “Quer dizer que minha própria energia foi lá para pegar o ladrão para me atormentar?” Sim. Para protegê-lo contra o perigo do sucesso, pois para você ele representa uma ameaça.

É importante tomar consciência dos valores resistentes, do que é tão ameaçador para você no progresso. Não ousamos nos conscientizar porque nossa própria mente nos impede de saber, já que teremos que lidar com isso e sem saber vamos causando mais resistências. Então vamos seguindo nos defendendo das “próprias surras”, por temer ver o que nos impede de progredir.

Autodesenvolvimento

Descobertas do meio da vida de uma mulher

18:13

Mulheres que entendem de mulheres. Compartilhando.



Numa cidade distante -Lya Luft

Tem mais de quarenta anos, e pela primeira vez viaja ao exterior, cheia de incertezas.

A vontade mesmo era de ficar no conforto dos objetos familiares e da vida previsível cujos contornos às vezes pareciam se estreitar demais.

Vai num grupo de trabalho, mas no hotel e em algumas atividades está sozinha. Uma tarde vê-se obrigada a atravessar sem companhia a cidade desconhecida: dá os primeiros passos repetindo mentalmente o roteiro, segura a bolsa como se fosse a bússola de sua alma. Ao seu redor fragmentos de frases no idioma estrangeiro que ela entende mais ou menos, os cheiros e cores diferentes.

O sol incide sobre todas as coisas de uma forma nova.

Então é tomada de euforia: está num país remoto, numa cidade desconhecida, consegue andar e orientar-se - e não sente medo. É uma alegria inquietante para ela, que nunca imaginou sentir-se tão bem e contente longe da casa e da família. Antes, isso lhe pareceria uma traição.

Agora, caminhando no chão do imprevisível, começa a dizer em voz alta: "Eu sou uma pessoa! Eu sou uma pessoa!"

E, sentindo-se ridícula, ri de si mesma, lágrimas nos olhos, como se tivesse acabado de nascer. Está só. Está livre, está completa, e, nesse instante, sem nenhuma culpa.

É capaz - sabe disso agora.

Nada a teria impedido de descobrir isso antes, não poderia acusar ninguém de estar querendo podar ou abafar sua personalidade. Eram amarras consentidas que a prendiam, muitas auto-impostas, um confortável papel que aceitara e assumira porque assim esperavam dela.

Mas ali, naquela breve caminhada, libertara em si uma pequena alma transgressora, ainda que de limites tão ínfimos que alguns até achariam graça. Nesse dia compreendeu que amadurecera. Entrou numa joalheria e comprou um anel, um aro muito simples, que nunca mais tirou do dedo: sua aliança consigo mesma e com a sua verdade.

Amadurecer passou a ser retirar as máscaras e ver no espelho o verdadeiro eu - onde se lia uma severa contabilidade de gastos e lucros, saldos nem sempre tranquilizadores, pouca ousadia.

Quanto de amargura, quanto de bom humor tinha sobrado, quanta capacidade e fervor para se renovar antes que a resignação encobrisse tudo?

Percebeu que não importava tanto o que havia lhe acontecido naqueles quarenta anos, mas o que ela estava fazendo como o que eventualmente acontecera. Era uma oportunidade assustadora e maravilhosa: amadurecer não significava estagnar, mas reafirmar - ou reinventar - cada dia aquilo que mesmo inconscientemente ela se propunha como o sentido, o rumo e o tom de sua vida.

Precisara chegar àquela cidade distante para fazer essa descoberta.

Levara quarenta anos para se encontrar como pessoa: talvez levasse mais quarenta para achar que entendera todos os significados disso.

Mas aí precisaria de outros quarenta para enfim ver que nada tem explicação, e que o interessante na vida não são as respostas: são os enigmas.

Autodesenvolvimento

Quem Sou Eu?

11:39


Quando temos a oportunidade de conhecer tipos diferentes de pessoas não é raro percebermos as personas criadas para esconder os sentimentos pessoais de imperfeição. Elas adotam diferentes posturas para compensar a falta de valor próprio interior exibindo sua riqueza, seu status, suas façanhas intelectuais, sua força física, suas conexões sociais ou sua “superioridade” moral, na tentativa de provar que não são tão indignas quanto se sentem.

Às vezes tudo começa com uma pequena mentira ou simulação, mas com o passar do tempo a farsa vai ganhando uma dimensão maior, dando origem a um personagem que é o oposto de como a pessoa realmente se sente. Verdadeiras fraudes, temem ser desmascaradas todo o tempo. De certa forma, em alguma medida, todo mundo esconde ou compensa uma parte de si que não gosta.

Corremos atrás para satisfazer essa imagem criada. Trabalhamos arduamente para conseguir o dinheiro que mostramos ter, nos matamos para mostrar o corpo perfeito, o casamento perfeito, para fazer os contatos sociais que mostrarão que somos os tais, condenamos os outros para mostrarmos nossa elevação moral e espiritual. Se isso fosse uma verdade estaria tudo certo essa corrida incessante, mas na grande maioria é somente uma ação desencadeada por uma motivação coletiva, instintiva, na busca de poder, domínio, como fazem os animais. Num nível mais caótico ainda apenas inventamos todas as realidades que queremos mostrar. Fazemos tudo que nossa persona pede, e então porquê ainda nos sentimos vazios?

Quando toda a sua energia é empregada para manter a ilusão do “eu” que você projeta e esconde do mundo a imagem do seu “eu temido”, a voz baixa e mansa do seu “eu verdadeiro”, quem você realmente é, mal pode ser ouvida. Fale mais alto e ouse responder à essas perguntas:

- Quem você  é  hoje,  desperta a vontade de sua própria companhia?

- Quem é você quando ninguém está olhando?

- Se você se sentisse totalmente seguro, o que faria de maneira diferente?

- Quem você seria se vivesse sem nenhum medo?

Dizem que quando perguntaram a Michelangelo como ele conseguia esculpir anjos tão belos, ele respondeu: “Eu enxergo o anjo na pedra e vou removendo tudo que está ao seu redor”. 

Ser você mesmo é semelhante a isso: menos uma tentativa de ser como você gostaria de ser e mais uma questão de reconhecer a magnificência de quem você realmente é.

Luciana Sereniski