Autodesenvolvimento

Exemplo de descida (depressão) consciente

06:52


DEPOIMENTO QUE ENCONTREI NA INTERNET

Há tempos minha vida deu uma guinada após um longo processo de depressão e exílio voluntário. Estive muito fragilizada e, inicialmente, fui amplamente acolhida por “alguns amigos”. Como a minha situação emocional se agravava cada vez mais, eles foram se afastando e, naquele momento, o contato com as pessoas também parecia não me apetecer mais, pois, provavelmente, eu não estava sendo uma boa companhia: queria viver o meu fundo de poço, sozinha. O que aconteceu, é que depois de muito sofrimento, enjoei daquela dor e daquele abandono de mim mesma_ resolvi reagir e procurar ajuda_ espiritual, profissional e etc. E, da mesma forma que me entreguei àquela situação deplorável e me permiti vivenciá-la até a total vontade de desistência da vida, renasci INTENSA e INTEIRA, com uma disposição absoluta para ser feliz.

Tem sido assim desde então. Não há um dia sequer que eu não faça algo que me permita gargalhar por um bocado de tempo. Não há um minuto em que eu não entre em contato com a minha essência, que é de alegria. Não há momento algum em que eu não me permita brincar para aprender a ser leve, ou pelo menos, estar leve! E resgatar essa minha sede de vida me encheu de uma gratidão profunda e me fez olhar para as minhas conquistas e não apenas para os meus desamparos.

Por muito tempo me deixei ser acompanhada pela angústia e me abracei a ela. Nesta fase, meus “alguns amigos” se sentiam “úteis” porque estavam “superiores” quando “cuidavam” de mim. Mas o que eu não sabia é que insuportável seria minha ascensão, minha alegria. Se antes eles estavam disponíveis, hoje eles apenas sentem saudade. Se antes eles eram o meu bálsamo, hoje eles são uma lembrança bonita. Se antes eram presença, hoje são mais um avatar no facebook que não têm tempo para um encontro real... É por isso que me pergunto: e se não houver o amanhã? Todos andam muito conectados, mas absurdamente indisponíveis... E falam do amor de uma maneira incrível, mas não conseguiram transcender à palavra a ponto dela se tornar uma verdadeira experiência.

Refletindo sobre tais situações, percebo que por determinado tempo, é preciso que exerçamos o amor e a gratidão pelo amparo que nos foi dado no momento mais difícil e que tentemos compreender por que, consciente ou inconscientemente, o Outro ficou tão desconfortável por eu ter me tornado uma pessoa saudável, viável, produtiva. Mas é preciso também, após o tempo dado para que o Outro se resolva, dar-se o mesmo para refletir: como me sinto em relação às atitudes dele?E é isso que tem me importado.

Sei que amar o Outro abrange uma dimensão muito mais complexa do que apenas compreender as idiossincrasias, mas amar-se abrange também um universo muito maior que aceitar que o outro só ame o que há de mais frágil em você... E, se eu gosto de conviver com a força que habita em mim, a escolha desta alternativa faz com que eu prefira que o Outro se afaste ao meu autoabandono novamente.

Não é fácil, mas eu tive que aprender a tornar isto simples.

Marla de Queiroz

Autodesenvolvimento

Missão Pessoal

08:42


A forma mais eficaz que conheço para começar com o objetivo na mente é desenvolver uma declaração de missão pessoal, filosofia ou credo. Ele se concentra naquilo que a pessoa deseja ser (caráter) e fazer (contribuições e conquistas), e nos valores ou princípios nos quais o ser e o fazer estão fundados.

Uma vez que cada indivíduo é único, uma declaração de missão pessoal irá refletir sua unicidade, tanto na forma quanto no conteúdo.

Um amigo meu, Rolfe Kerr, expressou seu credo pessoal desta forma:

Primeiro seja bem-sucedido no lar.
Busque e seja digno da ajuda divina.
Jamais comprometa sua honestidade.
Lembre-se das pessoas envolvidas.
Ouça os dois lados antes de julgar.
Procure se aconselhar com os outros.
Defenda os ausentes.
Seja sincero e firme.
Desenvolva uma nova habilidade por ano.
Planeje hoje o trabalho de amanhã.
Ocupe-se enquanto espera.
Mantenha uma atitude positiva.
Tenha senso de humor.
Seja organizado pessoal e profissionalmente.
Não tenha medo dos erros - tema apenas a falta de respostas criativas, construtivas e capazes de superar estes erros.
Facilite o sucesso dos subordinados.
Ouça o dobro do que fala.
Concentre todas as habilidades e esforços no trabalho que tem a sua frente, sem se preocupar com o próximo emprego ou com a promoção.


Uma mulher, procurando equilibrar seus valores relativos à família e ao trabalho, expressou seu senso de missão pessoal de modo bem diferente:

Procurarei equilibrar carreira e família da melhor forma possível, pois ambas são importantes para mim.
Meu lar será um local onde eu e minha família, amigos e convidados sentiremos alegria, conforto, paz e felicidade. Por isso, procurarei criar um ambiente limpo e ordeiro, e ao mesmo tempo gostoso de se viver e confortável.
Usarei minha sabedoria para escolher o que vamos comer, ler, ver e fazer em casa. E, principalmente, pretendo ensinar meus filhos a amar, a aprender e a rir - e a lutar para aprimorar seus talentos específicos.
Eu valorizo os direitos, liberdades e responsabilidades de nossa sociedade democrática. Serei uma cidadã informada e engajada no processo político, para garantir que minha opinião seja ouvida e meu voto levado em conta.
Serei uma pessoa empreendedora, que exerce a iniciativa para conseguir atingir as metas. Tomarei a dianteira em situações e oportunidades, recusando uma postura passiva.
Tentarei sempre me manter livre de hábitos e vícios destrutivos.
Desenvolverei hábitos que me livrem dos velhos padrões e lides, e que possam expandir minha capacidade de escolha.
O dinheiro será meu servo, não meu senhor. Procurarei a independência financeira, progressivamente. Minhas vontades se submeterão a minhas necessidades e posses. A não ser para adquirir casa ou carro, ficarei afastada das compras a crédito. Gastarei menos do que ganho,
e regularmente economizarei ou investirei parte de minha renda. Além disso, usarei o dinheiro e os talentos que possuo para tornar a vida mais agradável para os outros, através do trabalho voluntário e da caridade.


Podemos dizer que uma declaração pessoal de missão é a constituição da pessoa. Assim como a Constituição dos Estados Unidos, ela é fundamentalmente imutável. Em duzentos e tantos anos ela recebeu apenas 26 emendas, dez das quais faziam parte da Declaração de Direitos original.

A Constituição dos Estados Unidos é o modelo a partir do qual todas as leis do país são avaliadas. É o documento que o presidente concorda em defender e apoiar quando faz o juramento presidencial. É o critério para determinar a cidadania das pessoas. É a base e o centro que permite às pessoas enfrentar traumas gigantescos como a Guerra Civil, o Vietnã ou Watergate. É o padrão escrito, o critério-chave pelo qual todo o resto é avaliado e considerado.

A Constituição tem permanecido e cumpre sua função ainda hoje porque se baseia em princípios corretos, em verdades por si só evidentes contidas na Declaração de Independência. Estes princípios conferem à Constituição uma força eterna, mesmo em épocas de ambiguidade ou convulsão social. "Nossa peculiar segurança está na posse de uma Constituição escrita", disse Thomas Jefferson.

Uma declaração de missão pessoal baseada em princípios corretos torna-se o mesmo tipo de modelo para o indivíduo. Passa a ser sua constituição pessoal, uma base para a tomada de decisões importantes, cruciais em sua vida. E uma base para a tomada de decisões cotidianas, em meio ao turbilhão de circunstâncias e emoções que afetam sua vida. Ela confere ao indivíduo a mesma força eterna, nos momentos de mudança.

As pessoas não podem conviver com a mudança se não houver um centro imutável dentro delas. A chave para a faculdade de mudar é a sensação imutável do que somos, do que fazemos e do que valorizamos.

Com uma declaração de missão, podemos realizar muitas mudanças. Não temos necessidade de prejulgamentos ou preconceitos. Não precisamos esclarecer mais nada na vida, nem estereotipar e classificar tudo e todos para nos encaixarmos na realidade.

Do livro: Os sete hábitos das pessoas muito eficazes, de Stephen R. Covey

Estudos Junguianos

Tipos Psicológicos de Jung

13:52


Jung escreveu em 1921 o importante livro "Tipos Psicológicos", que na época foi fruto de mais de 20 anos de observação e de exercício da Medicina Psiquiátrica e da Psicologia Prática. Jung demonstrou que as pessoas têm diferentes características comportamentais, habilidades, aptidões, atitudes e motivações que vão caracterizar os TIPOS PSICOLÓGICOS. O modo preferencial de uma pessoa reagir ao mundo deve-se dentre outras, a herança genética, as influências familiares e as experiências que o indivíduo teve ao longo de sua vida.

Jung distinguiu duas formas de atitudes: a pessoa que prefere focar a sua atenção no mundo externo de fatos e pessoas (extroversão), e/ou no mundo interno de representações e impressões psíquicas (introversão).

Na extroversão, a energia da pessoa flui de maneira natural para o mundo externo, em que se observa: impulsividade , sociabilidade, expansividade e facilidade de expressão oral.

Na introversão, o indivíduo direciona a atenção para o seu mundo interno em que se observa: a postura reservada, a retenção das emoções e facilidade de expressão no campo da escrita. 


As funções psíquicas

Além dos dois tipos de atitude, Jung verificou que havia uma diferença entre as pessoas de um mesmo grupo, ou seja, um introvertido poderia diferir muito de outro introvertido.
Para Jung, essas diferenças entre os indivíduos eram causadas pelas funções e ou processos mentais preferencialmente utilizadas pela pessoa para se relacionar com o mundo externo ou interno. As funções psíquicas juntamente com as atitudes de introversão e extroversão, representarão os TIPOS PSICOLÓGICOS.

Jung distinguiu quatro funções psíquicas: Sensação, Intuição, Pensamento e Sentimento. Existem duas maneiras através das quais percebemos as coisas - Sensação e Intuição - e existem outras duas, que usamos para julgarmos os fatos - Pensamento e Sentimento.

Pessoas do tipo sensação dão atenção ao presente e, portanto, tendem a ter os "pés no chão". Essas pessoas têm enfoque no real e no concreto, costumam ser práticas, realistas e voltadas para o "aqui - agora". Preocupam-se mais em manter as coisas funcionando do que em criar novos caminhos. Preferem também ver as partes ao invés do todo .

O oposto da função sensação é a função intuição, onde a apreensão do ambiente geralmente acontece por meio de "pressentimentos", "palpites" ou "inspiração". A intuição busca os significados, as relações e possibilidades futuras da informação recebida. Os fatos são apreendidos no seu conjunto .

As pessoas que utilizam o pensamento fazem uma análise lógica e racional dos fatos: julgam, classificam e discriminam uma coisa da outra sem maior interesse pelo seu valor afetivo. Naturalmente voltadas para a razão, procuram ser imparciais em seus julgamentos sem levar em conta a interferência de valores pessoais. Tendem a lidar melhor com processos lógicos e formais.

A função racional que se contrapõe à função pensamento é a função sentimento. Quem usa o Sentimento julga o valor intrínseco das coisas, tende a valorizar os sentimentos em suas avaliações, tem facilidade no contato social, preocupa-se com a harmonia do ambiente. As pessoas que preferem tomar decisões com base no sentimento utilizam-se de valores pessoais, mesmo que essas decisões não tenham objetividade do ponto de vista da causalidade. Por valorizarem impressões pessoais, tendem a se voltar para as relações interpessoais, preocupando-se com os sentimentos e valores de outros.

Ao demonstrar as quatro funções, Jung anotou que, "sob o conceito de sensação pretendo abranger todas as percepções através dos órgãos sensoriais; o pensamento é a função do conhecimento intelectual e da formação lógica de conclusões; por sentimento entendo uma função que avalia as coisas subjetivamente e por intuição entendo a percepção por vias inconscientes ... A sensação constata o que realmente está presente. O pensamento nos permite conhecer o que significa este presente; o sentimento, qual o seu valor; a intuição, finalmente , aponta as possibilidades do "de onde" e do "para onde" que estão contidas neste presente.... As quatro funções são algo como os quatro pontos cardeais. Tão arbitraria e tão indispensáveis quanto estes."

A individuação é um dos principais conceitos da teoria de Jung e diz respeito a um processo amplo e complexo que responde a uma necessidade natural do homem de crescer, completar-se e entrar em contato com os aspectos menos desenvolvidos da sua personalidade. A meta do desenvolvimento seria então a integração das funções, ou seja, um processo de reunir o que está dividido. Segundo Jung, a individuação é um processo de transformação .

Cabe ressaltar aqui que a Teoria dos Tipos não pretende rotular ou criar estereótipos em relação às pessoas quanto ao tipo psicológico. Jung afirma que "a tipologia psicológica não tem a finalidade de dividir as pessoas em categorias... A tipologia representa uma ajuda para a compreensão das variações individuais..." 

Equilíbrio Emocional

Relações Obsessivas no Casamento

12:10


Percebe-se que, ao mesmo tempo em que se faz necessária a entrega, também é importante uma certa retenção, uma reserva, a preservação de uma “área silenciosa”, que retém a identidade, a individualidade. Todo casamento bem sucedido é um milagre. E milagres acontecem. Não estou me referindo a fatos considerados impossíveis, mas a acontecimentos especiais, plenamente possíveis, só que especiais. 

Consideremos um homem e uma mulher com raízes, educação e influências religiosas bem diferentes. Oriundos de famílias tão desiguais, apaixonam-se e resolvem se casar. Talvez, para a obtenção de um denominador comum nas diretrizes familiares, eles precisem ajustar suas aquisições individuais, plasmando os aprendizados particulares e criando uma nova forma de interpretar a vida. Erich Fromm dizia que o amor dá trabalho: “Ama-se aquilo que se trabalha, e trabalha-se pelo que se ama”, e certamente será preciso que tal casal dedique-se à construção dessa nova forma de pensar a vida, o que não será imediato, mas a partir de decisões e combinações verbais, fruto da convivência diária.

Tais ajustamentos ocorrerão na constância de cada conflito, de cada decisão, demandando algum tempo. Por essa razão, os casais precisam dar a si mesmos o “tempo de conhecimento e ajustamento”. Amar é aceitar o outro exatamente como é, o que não significa concordar com tudo o que o outro faz. A presença do amor verdadeiro, em ambos, facilitará o ajustamento. Amamos o outro pelo que de nós nele identificamos. Amamos o que de nós vemos no outro, como num espelho. 

Encantamo-nos com nossa própria imagem refletida no outro. A imagem do que somos, do que temos, do que idealizamos ser. A admiração, o encantamento e o apaixonar-se passam por esta complementação pelo qual ansiosamente esperamos, que buscamos em alguém. Amamos e nos encantamos com o que o outro pode nos dar em complemento ao que já temos ou já somos. O outro vem suprir ou completar nosso self. Na verdade se o outro não tem nada daquilo a que aspiramos, pelo menos nós supomos que tenha, senão não nos apaixonamos. Aqui a idealização faz-se presente quando sonho que este outro reúne qualidades por mim buscadas. 

Quando o casal não consegue preservar as individualidades, quando o apaixonamento significa perder o referencial próprio e derramar-se no outro na expectativa de que todas suas realizações venham do outro, que se torne a fonte neurótica de toda felicidade e motivação para viver, instalamos a relação obsessiva.

Tomemos como exemplo que a mulher tenha esse comportamento obsessivo. De alguma forma o marido desfruta dessa obsessão relacional. Ele alimenta a obsessão da esposa, mantendo até por anos a obsessão, essa forma de casamento, apesar de todas as perdas, sofrimentos, e desgastes que uma relação desse tipo proporciona. A obsessividade, portanto, é parte ativa e constante na vida desse casal. Ninguém é obsessivo sozinho. A relação se dá a dois.

Os relacionamentos obsessivos estão se tornando cada vez mais comuns e, muitas vezes, resultam em separação. Quando ambos são obsessivos, a união pode até durar mais tempo, pois há uma mútua alimentação dessa paixão doentia, mas, individualmente, cada qual, se torna mais infeliz, mais complicado, e agravam-se as patologias, até que a vida torna-se insuportável para os dois, que viverão em mútuas acusações, protagonizando brigas que podem chegar a sérias agressões. Às vezes esse processo louco de se relacionar pode culminar na eleição de bodes expiatórios, ‘inimigos’ fora da relação.

Os relacionamentos interpessoais, além de se configurarem como uma necessidade para o ser humano, também representam a própria essência do que significa ser pessoa. A pessoa humana tem nas suas relações algo que caracteriza a essência, a humanidade de cada um de nós e nossa realização também se afirma na possibilidade de comunicação e troca. Quando o relacionamento torna-se uma obsessão, constatamos a incapacidade de a pessoa obsessiva lidar com suas próprias angústias, dependendo da existência de um outro que funcione como “depósito” de suas frustrações e incapacidades. Principalmente a incapacidade de autoaceitação.

Quem não é capaz de se aceitar e se amar certamente não será capaz de aceitar o outro e amá-lo. Quando o mandamento bíblico aconselha que devemos amar o próximo como a nós mesmos, a interpretação imediata é que não devemos(ou que não seria razoável) amar o outro mais que a nós mesmos. De onde se conclui: se eu não sou capaz de me amar, como poderei amar outra pessoa?

Quando um relacionamento é doentio, o outro passa a ser uma droga. Não uma droga química, mas uma droga com a função de anestesiar a autopercepção e a possibilidade de livre ação pessoal. É a “droga relacional”.

Equilíbrio Emocional

O que a pessoa Deprimida pode fazer durante a Depressão

10:39


A depressão faz com que a pessoa se sinta exausta, sem apoio, sem valor e sem esperança, incapaz de reagir. Esse estado só aumenta os pensamentos negativos e pessimistas, piorando a depressão, num círculo vicioso sem fim. Você deve tentar acreditar que tudo que sente e pensa negativamente é fruto de uma doença, e que acima de tudo é tratável sem dificuldades. Por mais realistas que estas vivências sejam, a depressão as aumenta e faz tudo ficar mais difícil e complicado.


Algumas atitudes podem ser úteis. Tente aplicá-las.

- Não decida nada muito importante(como por exemplo: deixar o trabalho, separar-se) enquanto estiver deprimido. Uma pessoa fragilizada, não fará a melhor escolha. Aguarde ficar bem para melhor decidir. Mas há casos em que exatamente a tomada de decisão, seja de uma separação ou deixar um trabalho é exatamente o que proporciona o início da melhora. Mas são decisões que podem e devem ser acompanhadas num tratamento psicoterápico.

- Não se imponha metas grandes, difíceis ou de longo prazo. Divida as tarefas grandes em tarefas menores e tente fazer o que você conseguir, não se imponha nada. Quando se está doente você não consegue fazer as coisas da mesma forma que quando está sã.

- Não se cobre demais, pois você não está em condições de saúde plena para exigir tudo o que você conseguiria antes. É como se você exigisse de alguém que está com pneumonia fazer o trabalho pesado que sempre fez.

- Tenha paciência para melhorar. No caso do medicamento ele demora para funcionar, e altos e baixos são a regra na fase inicial de tratamento, que pode durar semanas.

- Procure ficar com outras pessoas. Por mais que pareça um incômodo para os outros, se amigos e parentes querem ficar com você é porque querem ajudá-lo. E por mais que você não se sinta em boa companhia, sempre é melhor do que ficar sozinho.

- Procure fazer qualquer atividade de lazer, mesmo a título de distração, sem se esforçar para gostar do que está fazendo. Dê preferência a trabalhos manuais, exercícios leves como caminhadas, jogos esportivos, cinema, shows, atividades sociais e/ou religiosas; mas não se sinta obrigado a fazer nada disso se não tiver vontade, principalmente no início do tratamento. A medida que a depressão for melhorando, você pode ir tentando de forma mais intensa.

- Não aceite seus pensamentos depressivos. Fale para si mesmo que eles são parte da depressão, e que vão melhorar com o tempo. Policie-se e não deixe que seus pensamentos o dominem o tempo todo.

Luciana Sereniski
CRP 12/06912

Autodesenvolvimento

Reprogramação Mental

11:02


NADA MUDA SE VOCÊ NÃO MUDAR

Quantas vezes você já tentou modificar um hábito, largar um vício, mudar um comportamento e não o conseguiu? De repente, você se surpreende agindo da mesma forma indesejada, sempre repetindo velhos padrões. Por que será que isto acontece? Afinal, você queria "realmente" mudar aquele comportamento. O que saiu errado? Será que foi falta de "força de vontade"?

Não se culpe ou lastime! Saiba que tudo isso ocorre porque sua mente consciente corresponde a apenas mais ou menos 10% de sua capacidade mental e os outros 90% estão sob o comando do inconsciente, uma parte extremamente inteligente e poderosa, que influencia o seu comportamento através do sistema nervoso autônomo e segundo critérios de utilidade bem diferentes dos padrões estabelecidos pelo consciente. Por isso é tão difícil mudar.

Mas, se o inconsciente é inteligente, por que ele continua agindo "errado", você poderia perguntar? Porque ele age segundo programações que foram instaladas em sua infância, numa época em que sua capacidade de avaliação e crítica ainda não se havia desenvolvido totalmente.

Dessa forma, uma série de "verdades" foram registradas em sua mente, através de sons, imagens e sensações, que se mantêm até hoje.

Pare de ler este artigo um pouquinho e pense sobre uma quantidade enorme de frases e ditados que fizeram parte da sua infância e continuam direcionando sua vida.

Quantas vezes você já se percebeu sabotando sua própria intenção de mudar.

Talvez você seja uma daquelas pessoas que já tentou vencer o medo de aprender a nadar, matriculou-se na aula e depois de conseguir entrar n’água, disse para si mesma, com um riso nervoso:- "Não adianta! É difícil! Eu não vou conseguir!" E não conseguiu mesmo! Esta é uma forma de auto-hipnose negativa, produzida por padrões auto-limitantes que estão registrados no seu computador mental e que disparam um alarme de medo ou terror, todas as vezes em que você tenta entrar n’água.

Este mesmo padrão vale para uma série de situações de impedimento: - Falar em público, dirigir, estudar, parar de beber... sair da depressão... a lista pode ser infinita!

Se você se enquadra num desses itens, procure descobrir, primeiramente, qual a intenção positiva (é isto mesmo! Seu inconsciente está procurando atender necessidades psíquicas e emocionais) por detrás do comportamento ou sintoma inadequado.

Ou então, perceba qual a parte inconsciente que não está sendo atendida, como nos casos de depressão.

As técnicas psicológicas de reprogramação mental visam auxiliá-lo no atendimento de suas necessidades emocionais, através de comportamentos mais adequados ao que você escolheu para sua vida.

Atribuindo novos significados às experiências de vida que você viveu e reprogramando-se mentalmente, através da modificação dos códigos lingüísticos e simbólicos instalados no seu inconsciente, você terá a oportunidade de sentir-se cada vez mais auto-confiante e produtivo, livrando-se dos velhos problemas emocionais que afligiam sua vida.

Arrisque-se. Tente uma nova forma para eliminar velhos problemas.

Autodesenvolvimento

Insegurança

19:38


A insegurança traz como características psicológicas os mais variados tipos de medo, como o de amar, o de mudança, o de cometer erros, o da solidão, o de se pronunciar e o de se desobrigar. O inseguro não confia no seu valor pessoal, desacredita suas habilidades e desconfia de sua possibilidade de enfrentar as ocorrências da vida, o que o impulsiona a uma fatal tendência de se apoiar nos outros.

Por não compreender bem seu poder interior, apega-se na feição do cônjuge, filhos, outros parentes e amigos, e assim acaba dependendo completamente dessas pessoas para viver. Em vez do amor é a insegurança a fonte principal que o une aos outros, por isso, controla e vigia em razão das dúvidas que tem sobre si mesmo.

O inseguro, por não saber que não pode controlar os atos e atitudes das outras pessoas, cria grandes dificuldades em seus relacionamentos, gerando, consequentemente maiores cobranças e barreiras entre eles.

A hesitação torna-o incapaz de se sentir bastante firme para agir. Nunca possui certeza suficiente e quer sempre mais se certificar das coisas. É excessivamente cauteloso e vigilante, está em constante sobreaviso e na desconfiança de tudo e de todos, por causa do medo das consequências futuras de suas ações do presente.

Os inseguros desenvolvem muitas vezes uma “devoção mórbida” em relação às causas e aos ideais, ou se associam a um parceiro forte e dinâmico para compensar sua necessidade de apoio, consideração e segurança. No primeiro caso, eles podem assumir diante do mundo a posição de “crentes exaltados”, querendo convencer todos de uma verdade que eles mesmos não acreditam; no segundo, buscam alguém que lhes corresponda ao modelo de seus pais, para que novamente venham a se nutrir da autoridade, decisão e firmeza que encontravam nos pais, quando crianças, mesmo que de forma negativa.

Muitos ainda buscam refúgio numa atividade intelectual e se colocam, por exemplo, na posição de autoridade literária, como estratégia emocional, afim de estimular em torno de si uma atmosfera de “bem informados” e portanto, grandiosos e seguros.

A natureza do sofrimento é de “angústias morais”, que torturam mais dolorosamente que os sofrimentos físicos. Angústias morais podem ser entendidas como a fragilidade em que se encontram as pessoas inseguras, a sensação de mal-estar que sentem, por acreditarem que estão constantemente sendo observadas e julgadas e também pela perpétua situação mental de vulnerabilidade diante do mundo.

Os inseguros não são assertivos, em outras palavras, não se expressam de modo direto, claro e honesto. Os inseguros não se defendem nos seus direitos pessoais, por medo e evitam encontros ou situações em que precisam expor suas crenças, sentimentos e ideias.

Na Bíblia já encontramos falas de Jesus Cristo (um dos símbolos do Self) com relação a este tema. Suas palavras, em Mateus 5:37 – “Seja porém o vosso falar: sim, se é sim; não, se é não.” Ainda hoje essas palavras ressoam convidando todos à verdade, ao comportamento assertivo, que os inseguros tem tanta dificuldade. Essas palavras de Jesus, revelam:

- Franqueza em dizer o que pensava,
- Segurança de olhar, ouvir e convidar qualquer um,
- Independência de exprimir seus sentimentos, com absoluta transparência,
- Liberdade de pedir o que quisesse,
- Coragem de correr riscos para concretizar tudo aquilo em que acreditava.


Essas alegrias, o inseguro não sente.

Necessitar de amor, desejar consideração ou procurar segurança são desejos naturais e válidos. Uma certa dependência emocional está presente em muitos relacionamentos incluindo os saudáveis; e efetivamente, juntos ou sozinhos, estamos sempre caminhando pelas estradas da evolução.

Para avançarmos pela vida de forma harmônica com as pessoas, devemos desenvolver a autoestima, a capacidade de admitir erros, a responsabilidade de assumir nossos atos, e acima de tudo, a aceitação incondicional dos outros.

A insegurança faz de nossos relacionamentos íntimos um misto de irreflexão e precipitação, levando-nos a um excesso de confiança e, ao mesmo tempo, fazendo-nos perder o senso de nossas fronteiras individuais. Quase sempre, fazemos um verdadeiro emaranhado de nossos objetivos, desejos e conflitos com os de outras pessoas: pais, filhos, irmãos, cônjuges. Quando essas nossas afeições mudam, seja porque estabeleceram um outra ligação íntima, seja porque simplesmente elegeram para si novos rumos existenciais, ficamos fatalmente desestabilizados e desesperados.

Carências ilimitadas nascem da insegurança, sufocando e afastando relacionamentos salutares. Muitas vezes, chegamos ao extremo de abdicar de nossos objetivos e vocações mais íntimas, colocando-nos em situações vexatórias, por termos deixado que nossa “porção fragilizada” falasse mais alto.

Inicialmente fazemos um esforço hercúleo para nos entregar nas mãos da pessoa eleita. Com o passar do tempo vamos ficando incomodados e desestimulados com esse relacionamento até que, finalmente, chegamos ao ápice do desgaste, ficando raivosos e ressentidos com a pessoa de quem dependemos. Isso é compreensível, porque não há ninguém que goste, conscientemente, de ceder seu poder pessoal ou de renunciar a seus direitos de liberdade a quem quer que seja.

A intensa motivação que invade os indivíduos para serem amados e queridos a qualquer preço nasce das dúvidas íntimas sobre si mesmos, pois são pessoas, que raramente podem realizar na vida sem se “pendurar” no que chamam de grande amor.

A insegurança transborda de tal modo que transforma a natural necessidade de amar em uma necessidade patológica de satisfação, somente alcançada através da posse do amor.

Parte do desenvolvimento da personalidade humana é construída na infância e a esta soma-se a bagagem do inconsciente coletivo. As bases de muitas indecisões diante da vida se devem à educação autoritária dada pelos pais, que escolhem sistematicamente pelos filhos, desde roupas, alimentos, esportes, brinquedos, férias, até amigos, profissão e afetos. Crianças crescem deixando pais, amigos e professores decidirem por elas sem levar em conta seus gostos e preferências. Essas crianças se tornarão mais tarde, homens e mulheres sem segurança, firmeza e coragem de tomar atitudes perante a vida.

O direito de decidir deve ser estimulado sempre desde a infância, pois se trata de apoio vital na formação de um sólido sentimento de determinação e firmeza, que refletirá no adulto de amanhã.

Constranger as pessoas a procederem em desacordo com o seu modo de pensar é torna-las hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso.

Essa hipocrisia não é propriamente intencional ou feita conscientemente, é quase sempre inconsciente. Não deixa porém de ser um modelo comportamental falso ou fingido da pessoa, que acaba se conduzindo de maneira diferente do seu jeito de ser e agir. O constrangimento que se faz à nossa liberdade de consciência prejudica a busca por nós mesmos, a nossa afirmação perante a vida, bem como nos dificulta encontrar a peculiar forma de amar.

Em razão disso tudo, indivíduos passam a usar máscaras de “bonzinho’, como meio de seduzir, conquistar ou conseguir disfarçar a enorme incerteza que carregam, mas, periodicamente mostram de modo claro sua insatisfação interior: explodem em raiva inesperada contra àqueles com quem convivem. As relações ficam sensivelmente limitadas, pois nunca se sabe quanto a sua “bondade extremada” vai suportar uma opinião contrária ou algo que lhes desagrade.

Essas estranhas bondades são peculiares das pessoas que não desenvolveram a confiança em suas ideias, intuições e vocações íntimas e nunca se afirmam em si mesmas. Não admitem sua insegurança e, por isso, a agressividade acaba quase sempre controlando suas reações. Vivem comportamentos irreais e simulados, tentando agradar a todos e fazendo da mentira uma necessidade para viver. Pagam, porém, um preço fisiológico, ou seja, a somatização de raivas e fragilidades que mantem fantasiadas em candura e amabilidade.

Um comportamento exagerado de um indivíduo geralmente significa o oposto do que ele demonstra e confessa.

Os inseguros vivem numa espécie de “heteronomia crônica”, quer dizer, não escolhem as leis que regem sua conduta. Distanciados cada vez mais de uma vida autônoma, submetem-se a princípios e a pessoas diferentes de seu modo de pensar.

Usar a nossa própria intimidade para nos guiar, lançar mão de nossas sensações, emoções e sentimentos é a chave que abrirá a porta onde está escondida a nossa própria segurança.


Luciana Sereniski
CRP 12/06912